Uso de Tecnologia de Informação e Comunicação para controlo do COVID-19: Recomendações para Moçambique

Universidade Eduardo Mondlane – Faculdade de Ciências

Departamento de Matemática e Informática

Mestrado em Engenharia de Software

Metodologia de Investigação e Ética em Pesquisa

Ataíde Gildo Pais Chilaúle1, Carsolino Francisco Sambo2, Henriques Barros Rosa3,

Hildebrando João Gani Jeque4, Juvêncio Abílio Comé5

1. Licenciado em Engenharia Informática e de Telecomunicações e administrador de sistemas;

2. Licenciado em Informática e programador sénior de aplicações core numa organização financeira;

3. Licenciado Engenharia Informática e gestor de sistemas de informação;

4. Licenciado em Engenharia Informática, cofundador da startup DIKA e consultor;

5. Licenciado em Ciências de Informação Geográfica e consultor de TICs;

 

 

1.      Introdução

1.1.            Contextualização

O novo Coronavírus, popularmente conhecido como COVID-19, foi identificado após uma investigação epidemiológica e laboratorial. Depois de surtos de pneumonia em Dezembro de 2019 e Janeiro de 2020, cujas causas não eram conhecidas, o primeiro diagnóstico foi na cidade Chinesa de Wuhan, capital da província de Hubei (Duvane, 2020). O vírus espalhou-se rapidamente pelo mundo e, actualmente tem mais de 1,986,986 casos confirmados, onde os Estados Unidos da América são o país com mais infectados cerca de 609,516, seguido pela Espanha e Itália, sendo que no total 126,812 perderam a vida (Johns Hopkins University, 2020). Em Moçambique, até a primeira quinzena de Abril foram registados 28 infectados, dos quais 2 recuperados.

Dos dados acima, há que destacar o trabalho efectuado pela China onde 78% dos casos foram recuperados e actualmente tem vindo a registar apenas novos casos importados. Quando a China iniciou sua resposta a COVID-19, apoiou-se no sector de tecnologia, especificamente na inteligência artificial (IA), para rastrear e combater a pandemia, enquanto as empresas líderes em tecnologia, como por exemplo, Alibaba, Baidu e Huawei, aceleravam iniciativas sobre cuidados de saúde. Como resultado, as Startups de tecnologia estão envolvidas integralmente com clínicos, académicos e entidades governamentais de todo o mundo para activar a tecnologia, à medida que o vírus continua a se espalhar para muitos outros países (Marr, 2020).

É neste contexto que serão estudadas as tecnologias de informação e comunicação usadas como suporte para monitoria da COVID-19, ilustrando as iniciativas de alguns países estrangeiros face ao dilema e recomendando a adopção para o contexto moçambicano.

1.2.               Objectivos

1.2.1.      Objectivo Geral

  • Avaliar as tecnologias de informação e comunicação usadas para monitorar a COVID-19 e propor recomendações para Moçambique.

1.2.2.      Objectivos Específicos

  • Descrever o cenário actual das tecnologias de informação e comunicação na monitoria da Covid-19 no mundo;
  • Verificar o impacto das tecnologias de informação no controlo da pandemia COVID-19;
  • Recomendar tecnologias de informação e comunicação para monitoria da COVID-19 em Moçambique.

2.      Metodologias

Quanto a metodologia, a abordagem da pesquisa é Qualitativa. É usada a estratégia de caso de estudo do tipo exploratório, obedecendo os seguintes procedimentos: levantamento bibliográfico das tecnologias usadas no mundo e em Moçambique particularmente e entrevistas semiestruturadas.

O resultado da pesquisa bibliográfica é apresentado no capítulo 3. Por outro lado, as entrevistas foram feitas a 2 profissionais da área de Saúde e colaboradores do Ministério da Saúde (MISAU), 1 consultor de TICs e 1 mentor de Startups.

3.      Revisão de Literatura

3.1.            Tecnologias usadas para monitorar COVID-19

De acordo com o site da (World Health Organization, 2020) a melhor maneira de se prevenir e garantir uma lenta propagação da doença é se manter bem informado sobre o vírus, protegendo-se através da lavagem constante das mãos, usar gel baseado em álcool e evitar tocar a cara. Na era em que vivemos para se manter informado há necessidade de utilização de tecnologia. Segundo o (World Economic Forum, 2020), a China para lutar contra a pandemia alavancou activamente tecnologias digitais como IA, big data, cloud, blockchain e 5G. O Governo Chinês fez deploy de uma aplicação que permite verificar se um cidadão teve contacto com alguém que tenha a COVID-19.

Existem várias experiências de vários cantos do mundo que desenvolveram COVID-19 apps, tais como, Singapura – TraceTogether, Republica Checa – eFacemask, Macedonia do Norte – StopKorona. Alguns Países africanos também tomaram rédeas neste assunto, exemplo de Gana que desenvolveu GH COVID-19 Tracker App.

Para o caso de Big Data os utilizadores de redes sociais voluntariamente providenciam informação personalizada, tais como, género, idade e localização (Marcus, 2020). Muitos governos ao redor do mundo se interessam pela informação dos seus cidadãos. O renomado jornal electrónico Healthitanalytics através da (Kent, 2020) resumiu as questões sobre IA e outras tecnologias dizendo que a IA pode eliminar falsos trackings e identificar potenciais alvos, sendo assim pode reduzir o universo de análise de 1000 para 100, o que pode ajudar a acelerar o encontro da eventual vacina.

O caso mais interessante é o de Taiwan onde segundo (Jason, et al., 2020) existem 23 milhões de habitantes e cerca de 404 mil trabalham na China devido à proximidade entre as duas regiões, contudo integrou a base de dados de seguro de saúde com as de imigração para começar a criar análise de Big Data. Foi também usada a tecnologia QR Code Scanning tendo obtido resultados encorajadores.

3.2.            Tecnologias em uso em Moçambique

No caso vertente de Moçambique o MISAU em parceria com Telessaude Moçambique desenvolveram um site para auto-avaliar o risco de infecção onde cada utilizador fornece dados nesse site para avaliação. Alguns bancos comerciais desincentivam pagamentos de despesas usando dinheiro em espécie e POS tendo já disponibilizado um meio de pagamento complemente paperless.

4.      Resultados e Discussão

4.1.             Resultados

Das entrevistas feitas, os entrevistados notam um grande esforço por parte do MISAU para controlar a COVID-19, como, por exemplo na introdução de termómetros digitais e da plataforma para avaliar o risco de infecção. No entanto, há que reforçar as medidas e abrir campo as diferentes startups com soluções para mitigar essa pandemia. O nosso entrevistado e mentor de startups, garante que o maior problema é a falta de infraestruturas para suportar o uso do Big Data e IA, sem contar com o fraco acesso à tecnologia. Por outro lado, os nossos entrevistados e colaboradores do MISAU afirmaram que em Moçambique é usado o sistema DHIS2 para o monitoramento de algumas pandemias (Ex. Tuberculose), e recentemente foi lançada uma actualização que adiciona as funcionalidades de vigilância, registo, acompanhamento de doentes e contactos, e ambos são unânimes em afirmar que este sistema seria uma boa aposta para Moçambique. Por fim, o Consultor de TICs afirma que após a identificação dos possíveis sistemas, é necessário o uso do conceito de transferência de tecnologias olhando para o contexto de Moçambique, porque a solução pode funcionar, por exemplo na China e falhar em Moçambique.

4.2.             Discussão de Resultados

O quadro tecnológico moçambicano para responder à pandemia da COVID-19 ainda é pouco eficiente, apesar de se notar intenção na aposta de soluções tecnológicas avançadas. Entretanto, mostra-se necessário analisar o grau de preparação do país, quer ao nível de infraestrutura, quer de recursos humanos e do know-how, para adoptar, com a urgência que se impõe, tecnologias robustas de resposta à COVID-19. De modo geral, é necessário explorar mais a infraestrutura e outros recursos tecnológicos disponíveis no país, como sejam, os sistemas de informação, monitoria e avaliação (DHIS2), e introduzir novas tecnologias de gestão e análise de bases de dados extensos, que se mostrem eficazes para o controlo da COVID-19.

Para monitoria com base nas tecnologias de informação e comunicação da COVID-19 é necessário considerar três dimensões, onde serão avaliadas e recomendadas TICs de monitoria para:

  1. Os pacientes que foram diagnosticados “positivos”, monitorado o seu cumprimento das regras de isolamento;
  2. Os que deram entrada em Moçambique vindo de países estrangeiros, usando bases de dados para efectuar o levantamento de dados, tais como, residência e local de trabalho;
  3. Os que não cumprem com as regras, por exemplo, o uso de denúncias de locais onde existem um número elevado de aglomeração.

5.      Conclusões e Recomendações

Com base na análise feita sobre os resultados da pesquisa, o grupo concluiu que o recurso às TICs na monitoria das pandemias como o COVID-19 constitui uma vantagem. Medidas e decisões importantes podem ser tomadas em pouco tempo, minimizando assim os efeitos negativos destas pandemias.

Tendo em conta os benefícios que estas tecnologias apresentam, o grupo recomenda a adopção das seguintes medidas tecnológicas:

  • A adopção generalizada das tecnologias nos processos de gestão hospitalar;
  • A melhoria das infraestruturas tecnológicas e de comunicação para que possam suportar o uso de sistemas de Big Data e IA.
  • Criação de ID único por forma a monitorar cada cidadão, por exemplo, UIDAI da India;
  • Ampliar o uso da plataforma DHIS2;
  • A cooperação com as operadoras de telefonia de modo a permitirem o uso de aplicações USSD e partilhar a localização de clientes para monitorar o COVID-19;
  • O uso dos drones para o monitoramento.

Referencias Bibliográficas

Duvane, M., 2020. Novo Coronavirus. [Online]
Available at: http://telessaude.co.mz/2020/03/10/novo-coronavirus/
[Acedido em 13 Abril 2020].

Jason, W., Chung, N. & Robert, B., 2020. Response to COVID-19 in Taiwan: Big Data Analytics, New Technology, and Proactive Testing. [Online]
Available at: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2762689
[Acedido em 13 Abril 2020].

Johns Hopkins University, 2020. Coronavirus Resource Center. [Online]
Available at: https://coronavirus.jhu.edu/map.html
[Acedido em 13 Abril 2020].

Kent, J., 2020. Understanding the COVID-19 Pandemic as a Big Data Analytics Issue. [Online]
Available at: https://healthitanalytics.com/news/understanding-the-covid-19-pandemic-as-a-big-data-analytics-issue
[Acedido em 13 Abril 2020].

Marcus, S., 2020. Big data versus COVID-19: opportunities and privacy challenges. [Online]
Available at: https://www.bruegel.org/2020/03/big-data-versus-covid-19-opportunities-and-privacy-challenges/
[Acedido em 13 Abril 2020].

Marr, B., 2020. Forbes. [Online]
Available at: https://www.forbes.com/sites/bernardmarr/2020/03/13/coronavirus-how-artificial-intelligence-data-science-and-technology-is-used-to-fight-the-pandemic/#1fa5b1e25f5f
[Acedido em 11 Abril 2020].

World Economic Forum, 2020. How China’s industrial internet is fighting COVID-19. [Online]
Available at: https://www.weforum.org/agenda/2020/04/china-covid-19-digital-response/
[Acedido em 13 Abril 2020].

World Health Organization, 2020. Coronavirus. [Online]
Available at: https://www.who.int/health-topics/coronavirus#tab=tab_1
[Acedido em 13 Abril 2020].

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